Cuidado com os líderes autossuficientes

09 junho 2017 / De Ricardo Seperuelo

Cuidado com os líderes autossuficientes

Existe uma paranoia muito comum nas pessoas principalmente no mundo corporativo.

Elas acreditam que precisam saber de tudo! Olha que loucura! Saber de tudo, como se isso fosse possível. O mais interessante é que esse processo começa ainda na infância quando os pais, com a melhor das intenções, dizem para os filhos que eles precisam tirar nota 10 em tudo, pois afinal só estudam. Quem disse? Eles também brincam, sonham e se divertem, caso contrário, não seriam crianças, mas sim executivos!

Muitas lideranças acreditam que precisam ser autossuficientes, conhecer tudo e todos. Os resultados são líderes que não comunicam, não envolvem, não compartilham suas ideias e não engajam. Engajar não está condicionado a programas de motivação, recompensa ou atém mesmo premiações. Isso tudo são como fogos que geram euforia, porém duram pouco.

Pessoas se engajam por propósitos. Tenho medo dessas lideranças que buscam a autossuficiências e não reconhecem que trabalhamos em equipe e que tudo que se desenvolve e cresce vem de pessoas para pessoas e não de metodologias ou conhecimentos isolados. Na verdade, eles têm sede de poder, prestígio, status e não de propósitos. Líderes autossuficientes são líderes que gerenciam em torno do seu ego e não do propósito.

Dificilmente tomam decisão para o bem comum. São ardilosos em suas decisões e acham que não precisam se comunicar com suas equipes e pares, acham que só precisam prestar conta para os seus superiores ou quem pode de alguma forma atendê-los em algum interesse. O perigo maior é que líderes são referências tanto para o bem quanto para o mal e acabam formando sucessores com o mesmo perfil, onde acreditam que em uma organização é cada um por si e as “trevas” por todos.

Não estão nem aí se faltam com respeito, ética ou conduta. Não são humanos, são seres com uma insegurança muito grande voltada para provar constantemente que sabem tudo e não precisam de ninguém. São como as crianças paranoicas com as provas, testes e a cobrança de seus pais, pois sabem que somente 100% será aceito. Quanto sofrimento. Não existe ninguém 100% em tudo.

Nascemos com dons e talentos e pontos para melhorar, para podermos aprimorar sempre, mas nunca sozinhos, sempre com a troca, com a conexão e propósitos. Precisamos de mais e não de menos.

Sobre o autor

Ricardo Seperuelo

Ricardo Seperuelo é consultor, professor e escritor sobre gestão e neste livro A arte de engajar pessoas apresenta uma forma diferente de se gerir organizações, baseado no engajamento de pessoas através de propósitos, unindo a missão das organizações aos dos projetos e das pessoas, com uma abordagem simples e leve, sem medo de errar e sem culpa na carreira profissional. Profissional com experiência com projeto internacional em Angola e no Brasil, com projetos de mapeamento de processos, implementação de escritório de projetos e consultorias voltadas para engajamento de pessoas por propósitos alinhados às estratégias organizacionais. Administrador de empresas e Mestre em Sistemas de Gestão com especialização em Governança Corporativa pela UFF – Universidade Federal Fluminense, possui experiência como coordenador e professor dos cursos de pós-graduação nas áreas de gestão, incluindo gerenciamento de projetos, gestão de processos, gestão empresarial e gestão de pessoas.

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