Líder sem intuição é marionete da opinião, afirma especialista

04 abril 2017 / De Ricardo Seperuelo

Líder sem intuição é marionete da opinião, afirma especialista

Segundo Ricardo Seperuelo, os líderes do passado gerenciavam apenas com o feeling e a percepção

O consultor Ricardo Seperuelo, mestre em Sistemas de Gestão com especialização em Governança Corporativa pela UFF (Universidade Federal Fluminense), professor de Pós-Graduação e autor do livro “A Arte de Engajar Pessoas”, afirma que é fundamental repensar os padrões de liderança existentes nas organizações e no mundo corporativo. “Fomos ensinados que líderes precisam de dados e fatos para tomar decisões. Concordo. A grande questão é que passamos a acreditar que planilhas, gráficos, softwares e aplicativos resolvem todos os problemas e esquecemos completamente da observação e dos poderosos conhecimentos da convivência e vivência”, alerta o especialista em governança corporativa.

Segundo Ricardo Seperuelo, os líderes do passado gerenciavam sem essas ferramentas, apenas com o feeling e a percepção. “Não estou recomendando um retrocesso, mas um resgate da nossa percepção, ou seja, da nossa inteligência intuitiva”, afirma. Muitos desses líderes perderam espaço por não terem conseguido evoluir com as modernas ferramentas tecnológicas e analíticas, mas Seperuelo observa que muitos líderes atuais esqueceram completamente de vivenciar, de ver e falar com suas equipes. “Eles só analisam números e operam ferramentas”, aponta.

Na avaliação do professor e consultor Seperuelo, quando ocorre o abandono da intuição e da percepção, perde-se autenticidade, opinião e originalidade. Para ele, o perigo é virar uma marionete da opinião das boas práticas, dos modelos e dos números. “Muitas das ferramentas são apenas referências, mas as decisões jamais abandonarão o fator humano de verdade, pois seguir o que as ferramentas apontam é apenas uma repetição, uma extensão do software”, analisa.

“Que tipo de líder você é? Humano? Ou resultado de um aplicativo, de uma planilha?”, provoca Seperuelo. Chamando à reflexão, ele lembra que quantas vezes há situações em que os números mostram decisões, mas as pessoas apresentam outras. “Quantas vezes temos análises de investimentos que apontam para um caminho, porém sabemos que projetos podem apresentar resultados maravilhosos, mas, sem a equipe com o conhecimento necessário para executar, não alcançaremos os resultados esperados”, alfineta.

O abandono da intuição está condicionado à era digital. Hoje, o panorama do mundo corporativo mostra que o cenário virtual parece ser mais interessante do que o mundo real. Pessoas vivem prisioneiras de aplicativos, ferramentas e softwares. E lideranças não conseguem ouvir equipes. A preocupação é pela resposta aos e-mails e chats.

Preocupa também a questão de que os líderes conhecem, cada vez menos, as equipes. “Trabalhamos como extensões de softwares. Não temos opiniões originais, autênticas e ousadas. Vivemos repetindo aquilo que parece ser interessante ou que possa, de alguma forma, promover nossa imagem profissional, mas dificilmente representam a nossa verdadeira identidade e visão de negócio”, afirma.

O resultado é que os líderes são vítimas deles mesmos. “Mergulhados em uma bolha tecnológica que os isola das relações humanas, tão importantes para líderes e liderados”, observa o professor. De acordo com a visão de Seperuelo, impressionam as reuniões onde os líderes passam todo o tempo usando os smartphones e notebooks, como se aquele espaço não fosse dedicado a ouvir as pessoas.

Diante desse quadro obscuro, Seperuelo aponta que se o gestor quer ser um líder como a maioria, deve abandonar a sua intuição e se tornar uma extensão dos softwares. “Mas, caso ele queira ser diferente e assumir a sua própria identidade despertando propósitos e seguidores, deve buscar a sua intuição. Ela é mais sábia do que você imagina” finaliza.

Sobre o autor

Ricardo Seperuelo

Ricardo Seperuelo é consultor, professor e escritor sobre gestão e neste livro A arte de engajar pessoas apresenta uma forma diferente de se gerir organizações, baseado no engajamento de pessoas através de propósitos, unindo a missão das organizações aos dos projetos e das pessoas, com uma abordagem simples e leve, sem medo de errar e sem culpa na carreira profissional. Profissional com experiência com projeto internacional em Angola e no Brasil, com projetos de mapeamento de processos, implementação de escritório de projetos e consultorias voltadas para engajamento de pessoas por propósitos alinhados às estratégias organizacionais. Administrador de empresas e Mestre em Sistemas de Gestão com especialização em Governança Corporativa pela UFF – Universidade Federal Fluminense, possui experiência como coordenador e professor dos cursos de pós-graduação nas áreas de gestão, incluindo gerenciamento de projetos, gestão de processos, gestão empresarial e gestão de pessoas.

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